09/02/2010

Sessão da tarde imprópria para o horário

Imagine um país onde todos são zumbis por causa de uma infecção incurável e conseguimos contar nos dedos os humanos restantes. O objetivo desses poucos é sobreviver na terra devastada do jeito que dá. Assim pode ser resumido Zumbilândia, primeiro filme do diretor Ruben Fleischer, que mistura comédia com terror de maneira trash, porém não tosca – pois pode fazer uso dos melhores efeitos especiais que Hollywood oferece.

Esses desbravadores que se encontram cruzando a América são conhecidos apenas pelos nomes das cidades de onde vêm: Columbus (Ohio), Tallahassee (Flórida), Wichita (Kansas) e Little Rock (Arkansas). Woody Harrelson, único adulto no grupo, como o personagem que vem da Flórida, é o grande destaque do elenco. O sujeito nos é apresentado como um homem sádico que adora destruir os zumbis. Completam o elenco, Jesse Eisenberg (Adventureland) fazendo o tipo geek, Emma Stone (Superbad), como uma bad girl sedutora, e Abigail Breslin (Pequena Miss Sunshine), não tão doce quanto no filme que lhe rendeu uma indicação ao Oscar.

Em sua viagem pelos Estados Unidos, que agora é Zumbilândia, eles vão parar em Hollywood e lá encontram Bill Murray, que faz uma participação muito engraçada no filme. Zumbilândia, com certeza, agradará aos fãs de uma boa comédia. Um filme divertidíssimo e despretensioso com uma pegada meio “sessão da tarde”, mas impróprio para o horário por causa de tanto sangue, ossos e tripas voando.

08/02/2010

Genial e bizarro

Os indicados ao Oscar saíram na semana passada e logo mais este blog vai falar sobre eles. Mas um filme que estreou em Sundance há duas semanas e que, com certeza, não concorrerá ao prêmio da academia é o ODDSAC. Trata-se do misterioso filme do diretor Danny Perez e da banda Animal Collective. Esse trailer mostra 30 segundos de pura bizarrice e um cara correndo com a cabeça em chamas.



O video não é nenhuma surpresa para uma banda cujos clipes se parecem com isso:



Este é o clipe da música “Brother Sport” feito pelo diretor Jack Kubizne. Duas crianças hippies muito loucas de ácido ficam brincando de pintar com as mãos e dançando freneticamente em uma casinha no meio da floresta. Durante uns três minutos há uma chuva de ovos fosforescentes e multicoloridos. Um cachorro acompanha tudo enquanto pedaços de animações vão aparecendo. Estranhíssimo e genial ao mesmo tempo. Eu sou fã.

05/02/2010

Meninos de Ouro

Depois de dois filmes incríveis (A Troca e Gran Torino), Clint Eastwood retorna com um filme não tão bom quanto os anteriores. Querer comparar com Gran Torino, um dos melhores de sua carreira, é sacanagem, mas a impressão que fica ao final de Invictus é a de que ficou faltando alguma coisa. O filme é ótimo e Eastwood continua como um dos grandes mestres da câmera em Hollywood, mas uma história com grande potencial melodramático (algo que o diretor adora) acaba sofrendo talvez por um pouco de exagero na emoção.

Baseado no livro de John Carlin, Invictus se passa no começo do mandato de Nelson Mandela como presidente da África do Sul. Depois do apartheid, o país continua dividido entre brancos e negros e Mandela decide resolver isso. Vê na equipe nacional de rúgbi um grande potencial para conseguir a união que deseja. Chama o capitão do time, François Pienaar (Matt Damon), um africâner filho de um racista, para tomar chá no palácio presidencial. Com um poema vitoriano (o Invictus, do título do filme) que lia no seu período na prisão tenta incentiva François a levar a sua equipe à improvável vitória.

Morgan Freeman entrega uma interpretação marcante de Mandela. É o grande destaque do filme. Não há enquadramentos improváveis e nenhuma novidade na narrativa. Há a grande música explosiva nos momentos de grande emoção e uso da câmera lenta em cenas chave. É um filme de Clint Eastwood. Exagerado, como disse antes, na emoção, mas ainda assim bom. Há algumas semelhanças com Menina de Ouro, por causa da temática esportiva, de uma história de superação de um ser humano que segue à risca os ensinamentos de um “mestre”, mas é só isso. Se Eastwood inova é na temática, sempre diferente de um filme para outro.

É interessante notar que a história de Nelson Mandela tem muitos paralelos com a de Lula. Ex-presidiário que chegou ao poder com o apoio da maioria da nação e mesmo assim ainda sofrem preconceitos das “elites brancas” de seus respectivos países. Pacificadores, a paciência dos dois assusta, assim como a falta de espírito revanchista. Líderes natos e incontestáveis, Lula e Mandela são aclamados por veículos internacionais como visionários e mesmo assim ainda sofrem resistência em sua terra natal. O brasileiro nunca precisou usar do rúgbi para unir o país, mas conseguiu grande sucesso trazendo a Copa de 2014 e a Olimpíada de 2016 para cá. Com alguns ajustes, Clint Eastwood poderia muito bem fazer uma história passada no Brasil.

Cantona, o conselheiro futebolista

O mais legal de À Procura de Eric é que apesar da referência ao jogador de futebol francês no título, ele não é um filme sobre futebol ou a biografia do craque, mas sim sobre um homem que se apoiava na imagem do seu maior ídolo quando precisava de conselhos para seguir a vida. E ajuda era o que protagonista deste filme estava mais precisando, levando em consideração que vivia em uma casa completamente bagunçada em um subúrbio inglês, com dois filhos problemáticos – um envolvido com uma gangue local – e uma ex-mulher que não saia de sua cabeça - que ele abandonara há muitos anos e vivia com este arrependimento nas costas.

Para quem não sabe, Eric Cantona foi um dos maiores jogadores de futebol do mundo e um dos mais polêmicos também. Ficou famoso defendendo o time inglês Manchester United, até que em 1995, no auge, foi suspenso dos gramados por vários meses depois de agredir um torcedor. Depois ganhou fama fazendo declarações filosóficas – o lado de Cantona que move este filme – e se transformando em ator, participando até de Elizabeth (1998), com Cate Blanchett. Mas em campo, Cantona foi realmente genial e um dos jogadores mais elegantes do esporte bretão.

Cantona é interpretado por ele mesmo, enquanto o protagonista é Eric Bishop, feito por Steve Evets – ex-membro da banda inglesa The Fall. Bishop vive como carteiro e tem poucos momentos de felicidade, que quase sempre acontecem quando está bebendo cerveja com os amigos. Em casa vive a amargar uma vida dura e com a culpa de ter abandonado a esposa ainda jovem. São nesses momentos que Cantona aparece e deixa de ser apenas um pôster no quarto de Bishop. Steve Evets, apesar de cinquentão, tem uma cara de moleque sofrido, o que contribui bastante para o desenvolvimento do personagem.

O diretor Ken Loach (Ventos da Liberdade, Pão e Rosas) consegue mais uma vez colocar a classe operária britânica na tela com seu ponto de vista socialista sem ser panfletário, desta vez usando elementos de surrealismo (o desfecho é sensacional). À Procura de Eric é um verdadeiro deleite, mesmo para aqueles que não são fã de futebol – apesar de as (poucas) cenas das jogadas de Cantona que aparecem emocionarem. Uma vida sofrida e uma história de busca de superação contada de maneira bastante original.

03/02/2010

O mesmo Wes Anderson. Só que na animação

Apesar de ser uma animação, O Fantástico Sr. Raposo tem todos os elementos dos filmes do seu diretor, Wes Anderson (Os Excêntricos Tenenbaums, A Vida Marinha com Steve Zissou e O Expresso de Darjeeling). O humor seco, a família disfuncional, os silêncios constrangedores, a ótima trilha sonora (com bastante anos 60), os personagens peculiares estão todos lá. Portanto, mesmo sendo um stop-motion ainda é um filme de Wes Anderson.

Baseado no livro infantil de mesmo nome – de Roald Dahl, autor de A Fantástica Fábrica de Chocolates -, O Fantástico Sr. Raposo é um pouco diferente da história original – Anderson tomou a liberdade de mudar várias coisas, como o final, por exemplo. No filme, o tal do Sr. Raposo é um ladrão de galinhas, que depois de ser capturado por uma armadilha junto com a Sra. Raposa e escapar tenta mudar de vida, virando jornalista – seguindo o conselho dela. Os dois vivem uma vida pacata junto com o filho, Ash, um raposinha meio inapto para os esportes. A relação com o filho piora quando chega um primo distante para morar com eles, Kristofferson, que parece bom em tudo o que faz. Tudo piora ainda mais quando o Sr. Raposo resolve “seguir os seus instintos selvagens” novamente.

O “elenco” de vozes também é estelar. George Clooney é o Sr. Raposo e Meryl Streep é a Sra. Raposa. Bill Murray, Owen Wilson, Jason Schwartzman, Michael Gambon e Willem Dafoe (sempre presentes nos filmes do diretor) também fazem alguns dos personagens. Jarvis Cocker, vocalista do Pulp, participa cantando uma música.

O Fantástico Sr. Raposo é um filme bastante original e criativo. Mesmo sendo uma animação é muito mais direcionado aos adultos do que às crianças. E viajamos para um mundo de fantasias que Wes Anderson tornou possível.

02/02/2010

O suficiente para marcar para sempre

Contar três diferentes histórias de amor engolidos pela metrópole. Essa é a proposta de Quanto Dura o Amor?, novo filme de Roberto Moreira (Contra Todos). Uma aspirante a atriz do interior vai para São Paulo em busca da felicidade. Uma advogada misteriosa tem um segredo a revelar para o seu parceiro. E um escritor oferece tudo para a prostituta pela qual é apaixonado. Vidas que se cruzam no mesmo prédio, na Avenida Paulista, belissimamente fotografada.

Marina (Sílvia Lourenço) é a garota do interior que não consegue sucesso na carreira de atriz, mas acha na cantora Justine (Danni Carlos) um grande amor. Apesar de casada com Nuno (o santistão Paulinho Vilhena), Justine se entrega à vida noturna – o que é novidade para a deslumbrada Marina, mas pode trazer conseqüências drásticas. Marina divide o apartamento com Suzana (Maria Clara Spinelli), uma advogada de atitude estranha que começa a sair com um colega de trabalho, Gil (Gustavo Machado) – entregar o segredo que ela tem para contar seria estragar uma parte do filme. No mesmo prédio que as duas mora Jay (Fábio Herford), um escritor meio loser que é apaixonado por sua prostituta.

São histórias de amor passadas na cidade grande, comuns, banais, porém reais. Inevitavelmente todos vão se machucar – e machucar os outros. Nos identificamos com aqueles personagens, sofremos com eles e somos levados por suas histórias (a mais nada a ver e mais desprovida de sentimento talvez seja mesmo a do escritor Jay e a sua puta, pouco explorada no filme).

“O que podemos fazer? Devemos viver. Devemos enfrentar a longa sequência de dias que seguem à nossa frente”, diz Marina, em certo momento do longa, interpretando personagem de Tio Vânia, peça de Tchekov. A citação retrata bem o clima melancólico – e de alguma esperança - de Quanto Dura o Amor? Pode não durar muito, mas às vezes é o suficiente para marcar para sempre.

01/02/2010

Anti-heróis da classe média

“Uma sociedade só é democrática quando ninguém for tão rico que possa comprar alguém e ninguém seja tão pobre que tenha de se vender a alguém”. Com essa frase de efeito de Rousseau, começa Se Nada Mais Der Certo, novo filme de José Eduardo Belmonte (Meu Mundo em Perigo, A Concepção). A frase e o título do longa se encaixam bem naquilo que é proposto pelo diretor. Mostrar personagens marginais dispostos a fazer de tudo para salvarem as suas vidas nas bocas do lixo da cidade grande.

Léo (Cauã Reymond) é um jornalista fudido que vive com uma viciada em drogas e o filho dela, viciado nas figurinhas do Campeonato Brasileiro. Na sua busca por dinheiro para conseguir pagar as contas de casa, encontra Marcin (Caroline Abras), uma figura andrógina com vivência no mundo dos trambiques e o taxista Wilson (João Miguel), sujeito perturbado que procura um “médico da cabeça”.

Cauã Reymond (que anda fazendo pequenos papéis em bons filmes nacionais, como À Deriva e Divã) agora é protagonista e não faz feio. Mesmo não sendo tão genial quanto a estreante Caroline Abras ou João Miguel, faz bem a sua parte. Milhem Cortaz, como o travesti Sybelle, também é uma pérola da atuação.

A fotografia do filme é algo que chama a atenção. Assinada por André Lavenère, é impressionante o modo como capta a vida noturna da metrópole. O ritmo frenético da noite é pintado com realismo. Se Nada Mais Der Certo é esse sublime retrato de figuras sem rumo, anti-heróis da classe média vivendo à deriva.

29/01/2010

Espera de 15 anos que valeu a pena

Depois de algumas semanas, finalmente consegui assistir ao Avatar. As filas quilométricas do começo de ano no Cinemark aqui de Santos me fizeram desistir de entrar no cinema duas vezes. Férias escolares, tempo chuvoso e a “novidade” que a versão 3D do filme traz são provavelmente alguns dos fatores que tornavam impossível assistir ao filme neste mês de janeiro.

Agora, que a poeira baixou, consegui o meu lugar para ver o filme que está caminhando para ser a maior bilheteria de todos os tempos. E posso dizer com convicção que faz jus a todos os comentários positivos que está recebendo. Está à altura de todas as expectativas. É “eye candy”? É. Mas e daí? Avatar é cinema também. James Cameron só faz blockbuster? Sim. Mas sabe perfeitamente o que o público quer e não se acomoda e faz qualquer coisa.

O roteiro é simples? Talvez. Em um futuro não tão distante, o homem ocupou um planeta chamado Pandora, onde os habitantes são figuras azuis meio indígenas/meio hippies que souberam preservar o seu lugar. Quando um dos terráqueos, que já invadiram o pedaço pra tirar tudo de bom de lá, invade o planeta, acaba se apaixonando por uma das nativas. Existem coisas desnecessárias como o “ciuminho” do antigo pretendente da moça e a sua treta com o terráqueo? Sim. Mas isso é pequeno comparado com o resto.

Avatar é, sem dúvida, uma das melhores coisas já vistas no cinema. Enche os olhos e emociona. Valeu a pena a espera do diretor – de 15 anos – pelo avanço da tecnologia para conseguir Pandora na tela. Tudo no filme é incrível. E a mensagem que a história carrega é bonita e atemporal.

28/01/2010

A música de um homem invisível

O que mais chama a atenção em O Homem Que Engarrafava Nuvens é o documentário focar mais na música e obra do biografado do que na sua vida íntima e pessoal, que é a tendência da maioria dos filmes do tipo. Dirigido pelo pernambucano Lírio Ferreira (Baile Perfumado, Árido Movie), este longa se propõe a contar a história de Humberto Teixeira, o famoso “doutor” do baião – apelido que ganhou por ser advogado.

Ferreira consegue esse resultado pelo fato de quase todas as entrevistas serem com músicos. Chico Buarque, Caetano Veloso, Gilberto Gil, David Byrne, Otto, Sivuca, Bebel Gilberto, Elba Ramalho, entre outros, falam sobre Teixeira e a importância dele e do baião para a música brasileira. O filme vira pessoal quando a protagonista é a atriz Denise Dummont, filha de Teixeira, com quem ela teve uma relação conturbada até o final da vida dele. Denise, que também é produtora do filme, dá o tom sentimental da história. Em uma conversa com a mãe, Margarida Jatobá, consegue fazer ela se abrir e revelar algumas intimidades da vida com o compositor.

O Homem Que Engarrafava Nuvens não é informativo. É um retrato de uma figura brasileira que poucos conhecem por nome – Teixeira precisa ser descrito como um dos compositores de “Asa Branca” ou parceiro de Luiz Gonzaga – e optou por ser “invisível”, como bem descreve David Byrne, bem montado por um grande diretor com a ajuda da filha do protagonista.

Promoção doutor do baião

Estou sorteando um par de ingressos e um memo board (tipo imã de geladeira no qual você escreve recados) do filme O Homem Que Engarrafava Nuvens, em cartaz no Brasil desde 15 de janeiro. Para participar mande um e-mail para o acentonegativo@gmail.com me dizendo quem é o DOUTOR do baião (no assunto, coloque "promoção"). O resultado eu publico no começo da próxima semana. O filme, que é dirigido por Lírio Ferreira (Árido Movie), é recomendado por este blogueiro.


25/01/2010

Inspiração na desgraça

Os Estados Unidos são campeões em transformar em arte todos os momentos ruins pelos quais passam. Guerra do Vietnã, da Coréia, Mundial, do Iraque, atentados terroristas, assassinatos famosos, desastres naturais viram literatura, quadros, canções e filmes graças à curiosa e interessantíssima história daquele país. A inspiração do momento é a recessão. Foi oportuno para Jason Reitman, que escreveu o roteiro de Amor Sem Escalas em 2002, mas só agora conseguiu rodá-lo e colocar nos cinemas.

Reitman, realizador de Juno e Obrigado Por Fumar, consegue dirigir outro filme incrível. Para contar a história de um sujeito cujo trabalho é demitir pessoas de empresas, logo na primeira cena ele usa imagens de pessoas que foram demitidas na vida real contando para a câmera tudo o que diriam para aquele FDP. Então ficamos conhecendo o cara: Ryan Bingham (George Clooney), homem sem raízes, cuja única propriedade é um apartamento em Omaha tão mobiliado quanto o quarto de um hotel barato na rua Augusta. Bingham passa a vida dentro de aviões, pulando de empresa em empresa, dizendo para os funcionários aquilo que os seus chefes não tinham culhões de dizer: você está demitido.

É a partir dessa figura que se desenrola toda a trama. Ele gosta de viver assim. Sem um lugar que possa chamar de lar, sem conexões verdadeiras, sem um grande amor. Viajamos por muitas cidades, como Dallas, Tulsa, Detroit, Des Moines, Kansas City, mas Amor Sem Escalas não é exatamente um road-movie (talvez um air-movie?). O conflito acontece quando Bingham conhece Alex (Vera Farmiga), uma trintona misteriosa, muito charmosa e – o mais importante - com o mesmo tipo de trabalho que ele. Começa um relacionamento que para ele é como qualquer outro: Livre de laços sentimentais ou qualquer coisa do tipo.

As coisas só mudam de figura quando ele conhece Natalie (Anna Kendrick), uma jovem nova funcionária da sua empresa que vai ensiná-lo uma coisa ou outra sobre a vida e o grande atrito acontecerá. Tudo isso é feito de forma muito sutil pelo diretor, que conta com o humor como meio de não transformar tudo em um grande melodrama (Danny McBride e Zach Galifianakis, um dos atores mais engraçados atualmente, de Se Beber, Não Case, fazem participações). A trilha sonora, com pérolas de Crosby, Stills & Nash e Elliott Smith, também é ótima e ajuda nessa sutileza.

George Clooney provavelmente nunca esteve tão bem. Seu papel é intimista e ao mesmo tempo uma bela representação do que um babaca pode fazer, a ponto de o casamento da irmã estar chegando e ele não estar nem aí. Clooney consegue fazer essa figura difícil virar extremamente humana. Enquanto isso, Vera Farmiga rouba a cena como a companheira de cama do bonitão. Mulher segura, que inspira admiração e que depois vemos que não é bem assim. Por fim, Anna Kendrick é a ingênua que tenta fazer Clooney mudar, acreditar que viver para sempre com alguém é legal e tudo isso. Três atuações inspiradas e dignas de todas as premiações que estão recebendo.

RECADO: Amanhã o blog ficará sem atualização por conta do aniversário deste blogueiro. Ele também merece celebrar.


22/01/2010

João e Jeremias, de JR Fidalgo

Virei fã do escritor santista JR Fidalgo quando li o seu primeiro romance, O Ano da Lagartixa, livro que ganhei do próprio enquanto fazia um trabalho com ele. Há quase um ano atrás tive o privilégio de ser uma das primeiras pessoas a ler o seu segundo romance, João e Jeremias (a porra da história). Gostei da história logo de cara, mas de repente algo incrível aconteceu.

Enquanto lia as palavras cruas e honestas de Fidalgo, com os cheiros das ruas de Santos, me deparei com algumas frases familiares – lá no capítulo IV, página 12 -, que logo reconheci como minhas. Algo que eu tinha escrito e ele tinha reproduzido no livro. Logo depois, vinha um trecho assim: “Cada vez que sabia que alguém, com a idade daquele garoto, havia tido saco de ler A Porta dos Fundos do Paraíso e, ainda por cima, escrever algo a respeito, ele ficava de certa forma surpreso e, de certa forma, feliz. Surpreso porque jamais imaginou que garotos daquela idade se interessassem pelo tipo de coisa que ele escrevera no livro; feliz porque aquilo era uma espécie de prova de que, apesar de tudo, a garrafa com a sua mensagem continuava navegando e chegando a mãos que ele considerava improváveis, quando a lançou no mar.”

O trecho é maior e continua com o saboroso texto. Mas essa parte é especialmente especial e precisava compartilhar.

Um outro trecho de João e Jeremias:

“Olhando para o mar, eu pensei que devia achar algo mais importante pra dizer a respeito da porra daquele mar. Mas não consegui pensar em nada mais importante, além do fato daquela porra daquele mar banhar a porra da cidade onde eu vivi grande parte da porra da minha vida. Contudo, se alguém tinha mesmo que contar a porra daquela história, eu estava disposto a tentar. Por quê? Eu não fazia idéia. Isso, contudo, não importava. Afinal, era apenas uma porra de uma história.”

João e Jeremias (a porra da história) já pode ser encontrado na Realejo Livros. A Realejo tem duas lojas em Santos. A primeira fica ao lado da Praça Independência,número 2 da Marechal Deodoro. A segunda fica dentro do Shopping Miramar – a menos de uma quadra da primeira – no piso 1, lojas 63/65. Fones: (13) 3289-4935 / (13) 3977-4962