
Quando eu tinha apenas nove anos, Michael Jackson veio pela primeira vez solo ao Brasil para fazer duas apresentações no estádio do Morumbi. Isso era outubro de 1993. Lembro da conturbada passagem do cantor por aqui, quando atropelou um garoto na saída de uma fábrica de brinquedos – e depois foi visitá-lo no hospital -, com clareza. Gravei o show na tevê e o filme
Moonwalker (duas vezes na mesma fita), que passava no SBT direto. Depois passei meses – ou anos – reproduzindo junto com os amigos os passos do Michael enquanto assistia à gravação em VHS.
A música preferida era – claro – “Smooth Criminal”, com seu clipe genial e coreografia inesquecível. Fazíamos tudo com perfeição, exceto a parte que sem tirar os pés do chão, ele se inclina em um ângulo de 75 graus para a frente. Toda vez que tentávamos era certeza de enfiar a testa em algum móvel ou parar pelo meio do caminho. Todas essas lembranças voltaram à tona quando assisti ao novo filme sobre Michael Jackson,
This Is It, colagem de trechos dos ensaios para aquele que seriam os seus últimos shows – mas que não aconteceram por causa de sua morte.
Michael, por incrível que pareça, ainda estava em plena forma. Dança, canta, se joga no chão, brinca como se fosse uma criança, dá ordens, pede desculpas e faz a experiência dos que estão ali, convivendo com essa lenda, não parecer tão estranha para o espectador. Afinal, é uma experiência estranha, pois não é todo dia que se vê um sujeito tipo o MJ na rua.
O filme também é muito bom. Dirigido por Kenny Ortega, que também estava dirigindo o show da turnê
This Is It, o longa não conta a história de MJ ou coisa parecida. É totalmente focado nos ensaios para esse evento. E que evento. Nenhum artista na história tem tantos hits como Michael Jackson. “Beat It”, “Billie Jean”, “I´ll Be There”, “Thriller” são canções que qualquer cidadão deste planeta conhece. Nenhum outro artista chega a se comparar com ele neste quesito. O sujeito também gostava de uma grandeza. O show do cara parece o do Cirque du Soleil. Neguinho fazendo pirotecnias, contorcionismo e tudo o mais.
This Is It é um belo registro daquilo que nunca foi. O maior artista de nossos tempos em seu ato final. Creio que se um dia tive coragem de montar uma banda e subir em um palco para cantar, o Michael com certeza influenciou. MJ tinha esse poder. Mobilizar a todos com sua música.